Em um consultório de pronto-atendimento psiquiátrico não se deve usar eletroeletrônicos, mas liguei meu Ipod e tocava "Save Yourself", enquanto eu escutava mentalmente o estagiário dizendo ao plantonista: "avalie esta bomba, porque é carnaval e todos querem ver as globais de tapa-sexo." Eu sequer lembrei da data, mas o médico fez questão de falar que certas pessoas esperavam por ela, assim nonsense.
Não estou falando de salvação, mas - sim sim sim - quero outra pílula verde amarelada para "me tirar do risco", e perceba que o motivo é : estou frequentemente em risco. Eu sobrevivo assim, sou o risco. Enfim, se você não foi contemplado com um sinal de sangue no facebook, radiação nos e-mails ou um telefonema cínico e perturbador de quem nada amou, não ficou sabendo.
O corpo ainda é meu - mesmo que certa parte paranoica discorde - logo, as marcas pertencem ao mesmo. Não me dói se a cada nova cicatriz alguém sente uma tipo de culpa patética e solitária, já pensaram que não faço uma solenidade quando pratico self-harm?! Nunca estive pronta para assumir quaisquer responsabilidades, ainda mais a de apreciação da vida. Não é sobre um sonho adolescente irrealizado, porém a dor e a revolta são tão genuínas quanto.
Em cada dia em que se puder sentir minha pulsação cardíaca terei de ser controlada por um tipo novo de droga? Gostaria de ter alguma resposta, até porque "a longo prazo" soa como um eufemismo de "será eterno enquanto você durar." e não vejo problema em remédios, pena que não farei jus ao controle chamado de "efeito".
